T&E - Analítica






EXTRAÍVEIS E LIXIVIÁVEIS & SORÇÃO



SOBRE EXTRAÍVEIS, LIXIVIÁVEIS E SORÇÃO

 

    Praticamente todos os produtos colocados no mercado de consumo, são acondicionados em embalagens de diferentes materiais, buscando oferecer a melhor proteção ao produto. A proteção envolve vários aspectos, tais como: exposição a luz, choques, oxidação, refrigeração, temperatura ambiente, entre outras. O conceito de embalagem é ser de material inerte que não interage com o produto ali envasado. A embalagem da indústria Farmacêutica difere em algumas propriedades da indústria de Alimentos, ou de outros produtos, desta forma classificações são introduzidas:

Embalagem Primária: é conceituada como o material de acondicionamento em contato direto com o produto final. Neste contato os compostos podem migrar para o envasado ou serem atraídos para a embalagem. Tais situações são avaliadas com os estudos de Extraíveis (Extractables), Lixiviáveis (Leachables) e Sorção (Sorption).

Interação Ativo-Excipiente: a preocupação da migração da embalagem para o produto reside quando da administração do medicamento o qual pode sofrer alterações no processo de absorção, portanto, de eficácia do mesmo.

A RDC Nº 73, de 7 de Abril de 2016, insere controle sobre possíveis e prováveis contaminantes da embalagem primária, possíveis de migrarem e ou interagirem com o produto formulado ali em contato com a embalagem primária.

 

OS ENSAIOS:

·         Extraíveis: São compostos extraídos de forma forçada da embalagem, quer por solventes agressivos, tempo de contato, temperatura, ou seja, condições críticas às encontradas pela exposição do fármaco em armazenamentos. Como objetivo é detectar tais substâncias com potencial de migrarem para o produto ali envasado.

 

·         Lixiviáveis: São compostos presentes e detectados na embalagem primária com potencial de migrar para o fármaco durante o armazenamento. Compostos extraíveis podem não ser identificados no respectivo ensaio, porém no contato com o formulado (fármaco) podem apresentar substâncias detectáveis. Ainda, nos lixiviáveis, pode-se prever interação das substâncias advindas dos Extraíveis com os componentes do formulado ali envasado.

 

·         Extraíveis e Lixiviáveis: é extensão do estudo de impurezas de degradação (RDC 53). Envolvem análise de voláteis, semi-voláteis, não voláteis e metais como princípio básico. Cada material de embalagem possui suas peculiaridades, assim como, a preparação do estudo envolve desde de técnicas analíticas simples como medida de pH a complexas e exclusivas. É estudo fundamental para garantir a qualidade e a reputação do produto da empresa farmacêutica.

 

·         Sorção: Entende-se como Sorção, a migração de compostos do medicamento para a embalagem em função do tempo ou das condições do envase. O efeito de Sorção pode resultar em redução de quantidade do ativo ou excipientes, alterar o balanço farmacológico e fragilizar a proteção, por exemplo, num produto gastroresistente. Essa avaliação é complexa não apenas no sentido de alteração de concentrações, como também, na possibilidade de interação com a embalagem primária em seus componentes. Para efeito de estudo busca-se presença de ativo(s), placebo, revestimentos, entre outros.

 

TÉCNICAS ANALÍTICAS

     As técnicas analíticas estão em função das características de cada embalagem, de pesquisas bibliográficas, composição encaminhada pelo fabricante, armazenamento da embalagem, coleta e transporte, entre outras. Para tais situações o Centro T&E emite questionário para coletar o máximo de informações para definir a melhor direção analítica.

     Durante o ensaio analítico pode ser necessário extrair ou concentrar um possível sinal de contaminante, neste caso pode-se utilizar de várias metodologias tais como: extração Líquido-Líquido, extrações SPE (Solid Phase Extraction), SPME (Solid Phase Micro Extraction), SBE (Stil Bar Extraction) e outras tanto para orgânicos como para metais.

     Os Limites de Quantificação variam de nanogramas/mL, picogramas/mL a fentogramas/mL. O centro T&E tem equipamentos com detectabilidade suficiente para até fentogramas/mL. Dentre as técnicas analíticas, algumas são utilizadas, no sentido de buscar:

·         Substâncias voláteis;

·         Substâncias semi voláteis;

·         Substâncias não voláteis;

·         Substâncias Inorgânicas;

 

As técnicas analíticas, estarão em função do material e das circunstâncias que envolvem a embalagem:

 

·         Cromatografia em fase Gasosa (GC – FID- ECD-TCD-MS-Head Space);

·         Cromatografia em fase Líquida (UPLC ou HPLC- UV/Vis; Fluorescência; ELSD);

·         LC-MS/MS: Espectrometria de Massas acoplada ao HPLC ou UPLC; 

·         ICP- OES (Plasma Induzido-Simultâneo e Sequencial); AA - (Absorção Atômica) e FC (fotometria de chama).

·         TOC; DSC; IVFT; UV/Vis; Microscopia de alta resolução, ensaios por via úmida; entre outras.

·         Determinação da pureza de pico utilizando do DAD.

 

 

Validação das metodologias aplicada as impurezas detectadas:

     Para seguir um procedimento de validação de acordo com a norma atual da ANVISA faz-se necessário conhecer a impureza liberada ou interagida com o produto ali embalado. Nos extraíveis, caso seja identificada a impureza e a mesma for comercializada faz-se a validação com método indicativo de estabilidade. Caso não, pode-se definir um método geral para a análise instrumental ou outra, e quantificar o produto por fator de resposta ou área percentual, caso técnica analítica assim o permita.

No caso dos Lixiviáveis e Sorção, é importante utilizar do método validado indicativo de estabilidade, para análise do produto envasado, assim como, para distinguir possíveis interações das impurezas vindas dos Extraíveis com o formulado ali envasado.